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Colega mais velha inscrita no CROMG completa 90 anos

Com apenas 12 anos ela já vivia a realidade de um consultório odontológico. Naquela época, mais especificamente em 1939, a montesclarense Edwirges Teixeira de Freitas era apenas uma criança, mas que já trabalhava duro, auxiliando dois dentistas da cidade. Aos 15 anos, se tornou protética e, desde então, encanta seus pacientes com a delicadeza de suas mãos e a atenção que dispensa a todos.

Hoje, 11 de agosto, o CROMG tem a felicidade de comemorar os 90 anos da sua Inscrita mais velha em exercício. Conheça mais sobre a aniversariante do dia, a cirurgiã-dentista Dona Du, como é mais conhecida, que continua, em ritmo mais reduzido, exercendo o ofício que tanto ama.

Dona Du, como foi o primeiro contato com a odontologia?

Eu trabalhei como protética para outros cirurgiões-dentistas por mais de 30 anos. Mas não tinha estudo, apenas muita sensibilidade e prazer pela minha profissão. Aos 42 anos eu ainda não havia completado nem o primário, mas senti que era o momento de estudar. Então, em três anos fiz o ginásio e o científico para me preparar para prestar o vestibular.

Nessa época a senhora era casada e já tinha quatro filhos adolescentes. Como foi abdicar da sua rotina para fazer um curso universitário?

Quando fui fazer vestibular na Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina, não pensava ainda em cursar. Queria só tentar. Eu vi aquele monte de jovens fazendo a prova e não imaginava que tinha chances. Já estava me preparando para ir embora quando uma das colegas que estava tentando disse “estão falando que uma coroa jantou a prova”. Eu passei em nono lugar. Foi uma surpresa. Meu marido, que foi o melhor companheiro que a vida me deu, falou “vai”. Com tanto apoio eu não tive dúvidas. Uma vez por mês eu voltava para Montes Claros. Ele cuidou de tudo na nossa casa por quatro anos e eu me formei, aos 49 anos. Conto tudo isso no livro que lancei, “Histórias de uma vida”. 

A profissão passou para outras gerações da família?

Sim! Dos meus quatro filhos, três deles, o Rodolfo, o Edmundo e o Raimundo Nonato, se tornaram cirurgiões-dentistas. Minhas netas Carolina e Simone também seguiram os passos.

Como é chegar aos 90 anos não só bem de saúde, mas ainda trabalhando?

Mesmo aposentada, tenho 75 anos de profissão. Hoje eu atendo pouco. Uma vez por semana mais ou menos. Eu até tento diminuir ainda mais o ritmo, mas você acredita que muitos colegas me indicam para pacientes novos? Faço tudo com muito carinho e alegria.  

Além de trabalhar, o que mais gosta de fazer?

Tenho muita fé. Gosto demais de acompanhar as missas e a reza do terço pela televisão. Não perco nenhum dia.

E qual é o conselho que a senhora daria para os jovens que estão entrando agora para a profissão?

Que ame incondicionalmente o que faz. Esse é o grande segredo!

 

Para celebrar os 90 anos da dona Du, os familiares convidam os colegas para uma missa em homenagem a ela. A missa está marcada para hoje, 11 de agosto, às 19 horas, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José (Praça Dr. Chaves, 50 – Centro)