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19 de fevereiro de 2026
O Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG) informa que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV). A atualização reforça um ponto extremamente relevante para a saúde pública e também para a Odontologia: a vacinação passa a ser reconhecida como importante estratégia de prevenção contra cânceres de cabeça e pescoço, especialmente o câncer de orofaringe.
Trata-se de um avanço científico e sanitário significativo, pois aproxima ainda mais a atuação do cirurgião-dentista das políticas de promoção da saúde e prevenção de doenças graves.
O que é o HPV?
O HPV (Papilomavírus Humano) é um grupo de vírus bastante comum. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida, muitas vezes sem apresentar sintomas.
Existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns provocam apenas verrugas benignas, mas outros — chamados de tipos oncogênicos — estão diretamente associados ao desenvolvimento de câncer.
Os principais cânceres relacionados ao HPV são:
- Câncer do colo do útero
- Câncer anal
- Câncer de pênis
- Câncer de vulva e vagina
- Câncer de orofaringe (região da garganta, base da língua e amígdalas)
É justamente este último que tem forte interface com a Odontologia.
HPV e câncer de cabeça e pescoço
Nos últimos anos, estudos científicos vêm demonstrando uma mudança importante no perfil epidemiológico dos cânceres de orofaringe. Tradicionalmente associados ao tabagismo e ao alcoolismo, muitos casos atualmente estão relacionados à infecção persistente pelo HPV — principalmente o subtipo HPV-16.
O vírus pode infectar tecidos da cavidade oral e da orofaringe, permanecendo silencioso por anos. Quando a infecção não é eliminada pelo organismo, pode ocorrer transformação celular e desenvolvimento de tumor maligno.
Entre os sinais que podem aparecer estão:
- Feridas na boca que não cicatrizam
- Dor ao engolir
- Rouquidão persistente
- Nódulos no pescoço
- Dificuldade para engolir
- Lesões na língua ou amígdalas
A detecção precoce pelo cirurgião-dentista é fundamental, mas a prevenção pela vacinação é ainda mais eficaz.
O que muda com a nova indicação aprovada pela Anvisa?
Com a atualização, a vacina contra o HPV passa a ter reconhecimento mais amplo na prevenção de doenças associadas ao vírus, incluindo cânceres da região de cabeça e pescoço.
Isso reforça cientificamente algo que já vinha sendo observado em pesquisas internacionais: a vacinação reduz drasticamente a circulação dos tipos de HPV responsáveis por tumores orofaríngeos.
Na prática, significa:
- Maior respaldo científico para campanhas de vacinação
- Participação ainda mais ativa da Odontologia na orientação à população
- Ampliação das estratégias preventivas em saúde bucal
- Integração entre atenção odontológica, médica e saúde pública
Quem deve se vacinar?
No Brasil, a vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos
- Pessoas imunossuprimidas (até 45 anos, conforme protocolos do Ministério da Saúde)
A vacinação antes do início da vida sexual é a mais eficaz, pois impede o primeiro contato com o vírus. Entretanto, mesmo pessoas que já iniciaram a vida sexual podem se beneficiar da imunização.
O papel do cirurgião-dentista
O cirurgião-dentista é muitas vezes o primeiro profissional de saúde a identificar alterações na mucosa oral. Por isso, sua atuação não se limita ao diagnóstico precoce: ela também inclui educação em saúde.
A ampliação da indicação da vacina fortalece a importância do profissional orientar pacientes e responsáveis sobre:
- Riscos do HPV
- Relação com câncer bucal e orofaríngeo
- Importância da vacinação
- Exames periódicos de prevenção
A Odontologia contemporânea é cada vez mais preventiva e integrada à saúde geral do paciente.
Prevenção continua sendo a melhor estratégia
Além da vacinação, outras medidas importantes incluem:
- Consultas odontológicas regulares
- Autoexame da boca
- Evitar tabaco
- Reduzir consumo de álcool
- Uso de preservativos e proteção em práticas sexuais
O câncer de cabeça e pescoço possui altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente. Entretanto, em estágios avançados pode trazer sequelas importantes funcionais e estéticas — motivo pelo qual a prevenção deve ser prioridade.
Compromisso com a saúde pública
O CRO-MG reforça seu compromisso com a promoção da saúde e a valorização do cirurgião-dentista como agente fundamental na prevenção de doenças sistêmicas.
A ampliação da indicação da vacina contra o HPV representa não apenas um avanço médico, mas também uma conquista para a saúde bucal coletiva. Informar, orientar e prevenir salvam vidas.
Procure um posto de vacinação e mantenha suas consultas odontológicas em dia.