CRO-MG publica recomendação sobre o uso da clorexidina em ambiente hospitalar

CRO-MG publica recomendação sobre o uso da clorexidina em ambiente hospitalar

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20 de fevereiro de 2026

O Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), por meio da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar, publicou recomendação técnica referente ao uso do digluconato de clorexidina 0,12% na higiene oral de pacientes internados em ambiente hospitalar.

A orientação tem como objetivo qualificar a assistência, reforçar a segurança do paciente e orientar profissionais e instituições quanto ao uso criterioso do antisséptico, amplamente empregado na rotina hospitalar.


Uso difundido, mas não indiscriminado

A clorexidina é tradicionalmente utilizada em protocolos de higiene oral hospitalar, sobretudo em pacientes com limitação funcional, pacientes críticos e internados em unidades de terapia intensiva. Seu uso está associado à redução da carga microbiana bucal e, historicamente, tem sido relacionado à prevenção de complicações infecciosas.

Entretanto, a literatura científica atual apresenta resultados divergentes quanto aos benefícios clínicos universais da substância, especialmente quando aplicada de forma padronizada e indiscriminada para todos os pacientes hospitalizados.

Diante disso, a Câmara Técnica do CRO-MG destaca:

Não há indicação para uso indiscriminado da clorexidina em ambiente hospitalar.

A utilização deve considerar critérios clínicos, avaliação individualizada e contexto assistencial.


Avaliação odontológica é indispensável

A recomendação reforça que a higiene oral hospitalar não deve ser tratada como procedimento meramente protocolar ou automatizado. Trata-se de uma intervenção de saúde, que exige avaliação profissional.

O uso da clorexidina deve:

  • seguir protocolos institucionais multiprofissionais;
  • considerar o perfil e a complexidade do paciente;
  • ocorrer sob avaliação, prescrição e monitoramento do cirurgião-dentista;
  • estar integrado às ações de controle de infecção hospitalar.

A presença do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar é essencial para definição da conduta adequada, seleção dos pacientes que realmente se beneficiam da terapia e prevenção de riscos associados ao uso inadequado.


Segurança do paciente e Odontologia Hospitalar

Embora a clorexidina seja frequentemente associada à prevenção da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), estudos recentes não demonstram consenso científico absoluto quanto à sua eficácia universal. Isso reforça a necessidade de tomada de decisão baseada em evidências e não apenas em tradição assistencial.

Protocolos padronizados sem avaliação clínica podem:

  • expor pacientes a intervenções desnecessárias;
  • gerar falsa sensação de proteção;
  • desconsiderar condições bucais específicas;
  • reduzir a efetividade da assistência multiprofissional.

Nesse contexto, a Odontologia Hospitalar assume papel central na segurança do paciente, pois a cavidade oral funciona como reservatório microbiológico capaz de interferir diretamente no quadro sistêmico do indivíduo internado.


Fortalecer a Odontologia no hospital é qualificar a assistência

O CRO-MG destaca que a atuação odontológica no hospital não é complementar — é assistencial.

A presença do cirurgião-dentista:

  • qualifica protocolos de higiene oral;
  • reduz riscos infecciosos;
  • melhora condições sistêmicas do paciente;
  • contribui para decisões terapêuticas mais seguras.

A assistência segura é aquela baseada em evidências, planejamento e atuação multiprofissional integrada.

Fortalecer a Odontologia no hospital é fortalecer a qualidade da assistência e a segurança do paciente.