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14 de fevereiro de 2026
As fiscalizações da Vigilância Sanitária têm se tornado cada vez mais criteriosas em todo o país. No exercício da Odontologia, a conformidade sanitária não se limita à técnica clínica: envolve estrutura física adequada, gestão documental organizada, protocolos atualizados e registros devidamente preenchidos.
A experiência demonstra que a maioria das autuações não decorre de falhas técnicas no atendimento ao paciente, mas de inconsistências documentais, ausência de registros obrigatórios ou inadequações estruturais.
Estar preparado é uma medida de responsabilidade profissional e de proteção ao exercício ético da Odontologia.
A fiscalização começa na documentação
Antes mesmo da análise da estrutura física da clínica, é comum que o fiscal solicite a chamada Pasta Sanitária.
Entre os documentos obrigatórios, destacam-se:
- Manual de Boas Práticas atualizado;
- Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) compatíveis com a rotina real do serviço;
- Registros de limpeza e desinfecção;
- Controle de materiais e validade;
- Controle e monitoramento da autoclave;
- Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS);
- Registros de coleta e armazenamento de resíduos;
- Protocolos de biossegurança;
- Fichas clínicas, termos de consentimento e contratos obrigatórios.
A ausência ou desatualização desses documentos pode resultar em notificação, multa e, em situações mais graves, interdição do estabelecimento.
Estrutura física também é critério de avaliação
Ambiente limpo não é sinônimo de ambiente regular.
A Vigilância Sanitária observa aspectos como:
- Fluxo de atendimento e organização do espaço;
- Ventilação e iluminação adequadas;
- Organização e armazenamento de materiais;
- Separação entre área profissional e residencial (quando houver);
- Condições estruturais que garantam segurança sanitária.
A conformidade estrutural é parte integrante da segurança do paciente e da responsabilidade técnica do cirurgião-dentista.
Gerenciamento de resíduos: ponto crítico de fiscalização
O manejo incorreto de resíduos é um dos principais motivos de autuação.
É fundamental que a clínica possua:
- PGRSS atualizado;
- Segregação correta dos resíduos;
- Identificação adequada dos recipientes;
- Local de armazenamento seguro;
- Contrato com empresa licenciada para coleta.
O gerenciamento adequado de resíduos protege profissionais, pacientes e o meio ambiente, além de atender às exigências sanitárias vigentes.
Registros salvam em uma autuação
Em fiscalização sanitária, o que não está registrado é considerado como não realizado.
Devem estar devidamente preenchidos:
- Registros de limpeza e desinfecção;
- Controle de esterilização e monitoramento da autoclave;
- Controle de validade de materiais;
- Registros de coleta de resíduos;
- Planilhas de manutenção preventiva de equipamentos.
A organização documental demonstra compromisso com a qualidade e com a segurança assistencial.
Equipe treinada também é responsabilidade do responsável técnico
Quando houver funcionários, é indispensável que a equipe:
- Conheça os POPs da clínica;
- Saiba orientar o fiscal quando necessário;
- Siga corretamente os protocolos de biossegurança;
- Esteja treinada quanto ao gerenciamento de resíduos.
Erros operacionais da equipe também podem gerar autuação ao estabelecimento.
Antecipação é a melhor estratégia
Prevenção, organização e conformidade são as maiores aliadas do exercício profissional seguro.
O CRO-MG reforça que a regularização sanitária não deve ser vista apenas como exigência legal, mas como parte do compromisso ético com a saúde pública e com a valorização da Odontologia.
Não espere a fiscalização ocorrer para organizar sua clínica. A preparação antecipada garante tranquilidade, segurança jurídica e fortalecimento da prática profissional.